Sodade

Quanta vêze niminha vida
Eu vi a terr, u chã de barr
Rispingad pela chuva
Fazé fulô fuloriá
Quanto sorr já quêmo
Fez inté mandacaru secá
Mai é só tiú cruza a istrada
Que a chuva faz tud isverdiá
Ieu querr é cume jamb
Durmi na sombra do jenipapo
Pescá traíra despos do armoço
Ni minha casa nu camp
Quand eu vej quela chapad toda vivinha
Meus zói inté si enche d'água
Di tão bunitu qi é aquil
Aquel tant de pé de jatobá
Ô fia, ieu quero é nadá
Naquel rí bunit, limp
Lá no rí qi tem onha
Lá da preu por uns jequi
Lá fía...
naquel rí...
rí jequi tem onha...
Por Fellipe Morrendo De Saudades De Araçuaí Miranda Martins
Escrito em Sertanezo
3 Comments:
criativo!
gostei muito.
um abraço
Hortência
ô meu cumpadi... é um belo poema. Só não concordo que o dialeto seja sertanezo... E jequitinhonhês... Muito bom.... Aproveito prá te dar um conselho... Quando estiver no K-iau, saia um pouco do meio urbano... Aprofunde mais na sua sertanidade... Converse mais seus avós, converse com seu Zé lá do Pé da Serra... Esse povo sabe muito...
Cumpadi Zezim
seus comentários são cada vez mais envolventes...
sinto sua sensibilidade aflorar quando me escreve. Obrigada por sempre me visitar no blog e por ter paciência de ler os meus poemas.
Fico lisonjeada com tamanho encantamento!
Um abraço,
Hortência
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