Homenagem a Zé Maria
Tem gente que vem nessa vida para ensinar, dum coração tão puro que a missão é vir aqui ensinar o amor e a concórdia. Um desses é Zé Maria. Sujeito humilde, fazedor do requeijão mais gostoso de Araçuaí e da alma mais luminosa que eu já conheci: Zé Maria da barriguda, Zé Maria da calma, do coração leve, da humildade... Zé Maria, naturalmente, conversa recitando o evangelho, e ele nem precisar conversar para se perceber isso. Moço, o homem espalha bondade por onde ele passa.
Esses dias minha mãe e ele estavam conversando lá na loja, aí que ele chega e dialoga os salmos na mansidão costumaz:
- Olha Zé Maria, uma coisa queu não quero nunca na vida é brigar por causa de terra: Deus não deixou terra aqui pra ninguém.
- Olha Najla, eu num vou dizer que você está errada, você está é enganada. Deus deu terra pra todos, o problema é que todos acham que a terra tem que ser pra alguns.
Nem precisava dizer mais nada, mais aí Zé Maria contou mais um caso, de um conselho quele deu para um que estava muito enfezado, revoltado:
-Ô moço, Deus não pediu pra gente muita coisa, a gente não precisa fazer muita coisa para agradar Deus, é só ter um coração bom.
É desse jeito mesmo. Não precisa eu nem dizer mais nada.



