sexta-feira, julho 11, 2008

Homenagem a Zé Maria

(Uma barriguda no tempo que nasce a marmelada)

Tem gente que vem nessa vida para ensinar, dum coração tão puro que a missão é vir aqui ensinar o amor e a concórdia. Um desses é Zé Maria. Sujeito humilde, fazedor do requeijão mais gostoso de Araçuaí e da alma mais luminosa que eu já conheci: Zé Maria da barriguda, Zé Maria da calma, do coração leve, da humildade... Zé Maria, naturalmente, conversa recitando o evangelho, e ele nem precisar conversar para se perceber isso. Moço, o homem espalha bondade por onde ele passa.

Esses dias minha mãe e ele estavam conversando lá na loja, aí que ele chega e dialoga os salmos na mansidão costumaz:

- Olha Zé Maria, uma coisa queu não quero nunca na vida é brigar por causa de terra: Deus não deixou terra aqui pra ninguém.

- Olha Najla, eu num vou dizer que você está errada, você está é enganada. Deus deu terra pra todos, o problema é que todos acham que a terra tem que ser pra alguns.

Nem precisava dizer mais nada, mais aí Zé Maria contou mais um caso, de um conselho quele deu para um que estava muito enfezado, revoltado:

-Ô moço, Deus não pediu pra gente muita coisa, a gente não precisa fazer muita coisa para agradar Deus, é só ter um coração bom.

É desse jeito mesmo. Não precisa eu nem dizer mais nada.

sábado, abril 19, 2008


terça-feira, abril 15, 2008

talvez se exista à medida em que se é
talvez se exista à medida em que se pense
Tal vez

sábado, setembro 15, 2007

O Violêro

Elomar - O Violêro


Vô cantá no canturi primero
as coisa lá da minha mudernage
qui mi fizero errante e violêro
eu falo séro i num é vadiage
i pra você qui agora está mi ôvino
juro inté pelo Santo Minino
Vige Maria qui ôve o qui eu digo
si fô mintira mi manda um castigo

Apois pro cantadô i violero
só hai treis coisa nesse mundo vão
amô, furria, viola, nunca dinhêro
viola, furria, amô, dinhêro não
Cantadô di trovas i martelo
di gabinete, ligêra i moirão
ai cantadô já curri o mundo intêro
já inté cantei nas prtas di um castelo
dum rei qui si chamava di Juão
pode acriditá meu companhêro
dispois di tê cantado u dia intêro
o rei mi disse fica, eu disse não

Si eu tivesse di vivê obrigado
um dia inantes dêsse dia eu morro
Deus feis os homi e os bicho tudo fôrro
já vi iscrito no Livro Sagrado
qui a vida nessa terra é u'a passage
i cada um leva um fardo pesado
é um insinamento qui derna a mudernage
eu trago bem dent' do coração guardado

Tive muita dô di num tê nada
pensano qui êsse mundo é tud'tê
mais só dispois di pená pelas istrada
beleza na pobreza é qui vim vê
vim vê na procissão u Lôvado-seja
i o malassombro das casa abandonada
côro di cego nas porta das igreja
i o êrmo da solidão das istrada

Pispiano tudo du cumêço
eu vô mostrá como faiz o pachola
qui inforca u pescoço da viola
rivira toda moda pelo avêsso
i sem arrepará si é noite ou dia
vai longe cantá o bem da furria
sem um tustão na cuia u cantadô
canta inté morrê o bem do amô.

segunda-feira, junho 25, 2007

Chova Vida!

A vida...
A vida é bela
Por demais.

E cada segundo que eu vivo
Cresce dentro de mim
Algo forte como um grito.

A esperança, nela me abrigo
Então faço da saudade,
Felicidade do recordar,
Cura para a dor que sinto.

Um gosto de chuva e terra
O verde, o barro, a lágrima
Um sorriso aberto a choro
De voltar ao lar e ser feliz, de novo.

E se não fosse o amor,
Essa vida não seria tão bela.
Se eu não me perdesse em você,
Flor, que eu nunca vi igual,
A vida não seria completa.

Por isso eu vivo,
E vivo querendo viver mais,
Pois quando olho do meu lado
Vejo o sorriso que é dela.

(Por Fellipe Miranda Martins)

domingo, abril 15, 2007

Pão e Serra, Lábio e Face

Pão e Serra, Lábio e Face
*
Há uma ciência nova:
A do contato físico
A do Toque.

Quão profundo e intenso
Quão imenso é o mundo
Do incessante momento
Firmamento irrelevante!

Um pai que chora
Ao filho no colo
Pela primeira vez
Acariciar

Uma cobra abriga
Nos seus braços uma ratazana
Em abraços à fadiga
Doce réptil vegetariana

Um amante em sua amada
Tira os cabelos do rosto
Ao sentir tocar-lhe a face
Estremece
Da alma ao corpo

Da água que molha a boca
Da carne pelo punhal que sangra
Destes versos que se chocam
Como o toque de quem ama.

(Por Fellipe Miranda Martins)

domingo, abril 01, 2007

Ecos

(Nebulosa Cabeça de Cavalo)

Pink Floyd - Echoes

Lá no alto o albatroz pára imóvel no ar

E bem debaixo de ondas agitadas

Em labirintos das cavernas de corais

O eco de uma maré distante

Vem projetar-se sobre a areia

E tudo é verde e submarino

E ninguém nos apresentou á terra

E ninguém sabe o “onde” e o “por quê”

Porém alguma coisa encara

Alguma coisa tenta

E começa a escalar em direção a luz

Estranhos que passam na rua

Por ventura dois olhares separados se encontram

E eu sou você e o que eu vejo sou eu

E eu pego você pela mão

E te conduzo pela terra

E ajude-me a entender o melhor possível

E ninguém nos chama para a terra

E ninguém passa por lá vivo

E ninguém fala

E ninguém tenta

E ninguém voa ao redor do sol

E agora este é o dia da sua queda

Sobre meus olhos acordados

Convidando e me incitando a levantar

E através da janela na parede

Atravessam em raios de luz solar

Um milhão de embaixadores brilhantes da manhã

E ninguém canta para mim canções de ninar

E ninguém me faz fechar os olhos

Por isso eu abro as janelas totalmente.